Existe uma moda genuinamente brasileira? A pergunta não é nova, mas é atual. Afinal, ainda não há consenso para tal questionamento e o fato de o Brasil ter deixado o posto de coadjuvante para ser alvo dos holofotes mundiais traz à tona reflexões sobre as possibilidades e potencialidades desta nação – entre elas, a moda.
Sétima economia mundial, o País teve seu status elevado ao ser escolhido como sede para os megaeventos esportivos que vêm por aí. A Copa do Mundo e as Olimpíadas, que serão realizadas em solo verde-amarelo, em 2014 e 2016, respectivamente, servem de catalisadores para um momento extremamente favorável para que a "Pátria Amada" mostre a sua cara.
FATORES HISTÓRICOS – A história do Brasil, contextualizada pela colonização europeia, a diferença de estações em relação ao Hemisfério Norte e a forte influência das passarelas e vitrines internacionais sobre as criações brasileiras são alguns dos fatores apontados pelo grupo que acredita que ainda é cedo para afirmar que a moda genuinamente “Made in Brazil” está estabelecida. Em contrapartida, há quem defenda que a originalidade inata do criador tupiniquim resulta em confecções, calçados e acessórios que constituem o fenômeno “moda brasileira”. Há, ainda, desdobramentos sobre o tema e as opiniões dividem-se em conceitos de identidade, lifestyle e mentes pensantes.
“Se existe uma moda feita aqui, já existe uma moda brasileira”, define João Braga, professor de História da Moda da FAAP (São Paulo/SP) e coautor do livro ‘História da Moda no Brasil: das influências às autorreferências’, entre outras obras acerca do tema. Segundo ele, o País é produtor de uma identidade própria, impulsionada pelo Plano Collor, que abriu o mercado nacional às importações no início dos anos 1990. Com a concorrência acirrada da moda que vinha de outros países, o estilista brasileiro precisou criar diferenciais para que seu produto agradasse ao consumidor e à imprensa. “Foi um momento crucial para aflorar a criatividade peculiar do brasileiro”, sinaliza, lembrando que, anos antes, em meados da década de 1970, a estilista Zuzu Angel já quebrava paradigmas com coleções de vestuário que misturavam rendas, estampas e temas do folclore nacional.
CRIAÇÕES SEM NACIONALIDADE – Na visão de Paulo Borges, CEO da Luminosidade (São Paulo/SP), produtora dos principais eventos da moda brasileira, como São Paulo Fashion Week e Fashion Rio, a identidade da moda não está relacionada à nacionalidade. “Não existe mais a moda francesa, a moda italiana, a moda americana, a moda inglesa. Existem ideias, e são elas que estão espalhadas pelo mundo. A globalização faz com que moda seja criação e não parte de um todo de algum país”, argumenta ele, exemplificando que a moda da Chanel não é feita só na França e a moda da Gucci não é feita só na Itália, mas sim no mundo inteiro, pois os fornecedores e a mão de obra estão distribuídos pelo globo.
LIFESTYLE – Para o renomado estilista brasileiro Walter Rodrigues, hoje coordenador do Núcleo de Design da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), o fenômeno “Made in Brazil” não existe. O que temos é um forte “lifestyle”, capaz de encantar quem vê nosso produto de moda. “Somos reconhecidos por nosso colorido, sensualidade e conforto. Nosso estilo mais conhecido pelo consumidor é o do segmento moda praia, até porque as praias brasileiras são destino de milhares de turistas estrangeiros. Percebo que os formadores de opinião do exterior nos vêem como exóticos e coloridos, apostando na particularidade que temos de misturar o artesanal em nossos produtos de moda”, acrescenta.
As mentes pensantes do setor calçadista estão instaladas aqui
Direcionando a questão para o segmento calçadista, outras constatações surgem. À frente do Museu Nacional do Calçado, Ida Thön, que também é professora de Design de Moda e Tecnologia do Centro Universitário Feevale (Novo Hamburgo/RS), acredita que o que temos, de fato, é um ‘criador’ brasileiro. “Mesmo que o sapato seja manufaturado na Índia, na China ou em qualquer outro país, as cabeças pensantes do segmento estão no Brasil. Nossos criadores são extremamente criativos e esse é o diferencial do ‘Made in Brazil’”, afirma.
Segundo ela, o criador brasileiro de calçados descende de uma revolução da indústria, provocada pela feira calçadista Fenac, que nasceu em 1963, em Novo Hamburgo. Até a década de 1960, a cartela de cores dos sapatos nacionais contava apenas com marrom, preto e branco. O início da Fenac acendeu a luz para uma nova era no setor. Em contato com os exportadores, os fabricantes daqui tiveram conhecimento da amplitude de possibilidades no design de acessórios.
BRASILIDADE QUE GANHOU O MUNDO – A Havaianas é referência de sucesso quando moda e brasilidade estão em pauta. Lançada em 1962 pela empresa Alpargatas (São Paulo/SP), a marca de sandálias construiu sua história visando representar o espírito espontâneo e alegre do povo brasileiro, inclusive internacionalmente. No mesmo ano em que estreou no mercado, começou a ser exportada para países da América do Sul. A partir do final da década de 1990, entraram na cartela de clientes pontos de venda da Europa e dos Estados Unidos, e, atualmente, a marca está presente em mais de 80 países. “A Havaianas se consolidou como mania internacional, sinônimo de alegria, descontração e, sobretudo, brasilidade. Com design simples e contemporâneo, as sandálias traduzem a espontaneidade e o colorido de nosso País”, diz o consultor de Comunicação e Mídia da empresa, Rui Porto.
A fabricante busca destacar a brasilidade também em anúncios e peças publicitárias multicoloridas, a exemplo da campanha global de 2013, que reforça que cada produto tem, em sua essência, a alegria, o estilo e a espontaneidade do povo tupiniquim.
Porto conta, também, que o modelo que leva a bandeira do Brasil está entre os campeões de vendas no exterior. “Em 1998, a Copa do Mundo de Futebol inspirou o lançamento das Havaianas Copa, com uma pequena bandeira do Brasil na tira. A expectativa de que a seleção ‘canarinho’ fosse campeã do mundial – grande aposta da Alpargatas – não se concretizou. Mas o modelo permaneceu em linha, passou a se chamar Havaianas Brasil e continua sendo um sucesso em todos os países até hoje”, comenta.
MODA FEMININA – No ano de 1994, o Grupo Paquetá (Sapiranga/RS) lançou uma nova linha de calçados e acessórios femininos de alta qualidade, tendo como objetivo uma marca de posicionamento mundial. Nascia, então, a Dumond, que em pouco tempo despertou o interesse do mercado internacional e soma, hoje, 33 lojas no exterior – grande parte delas no Oriente Médio.
A gerente de Marketing da marca, Deisi Pereira, relata que o público estrangeiro tem um interesse natural pelo Brasil, por sua cultura, alegria e belezas naturais. Explorando esses elementos em suas coleções, a Dumond tornou-se reconhecida por ser uma marca de moda brasileira contemporânea e a aceitação de seus produtos foi imediata, com notável preferência por modelagens coloridas e pelos saltos altos. As linhas destinadas aos demais países são as mesmas lançadas em território nacional. O mesmo acontece com as peças publicitárias. “A publicidade da Dumond sempre explora as cores e temas brasileiros e as campanhas usadas lá fora são exatamente as mesmas do Brasil. A única ressalva é o Oriente Médio, por restrições culturais às imagens femininas”, explica Deisi.
Do curtume à loja, entidades setoriais avaliam a questão
Produzir moda com identidade requer componentes diferenciados e autênticos. Essa ideia é compartilhada pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) por meio do incentivo ao desenvolvimento de couros com aspectos vibrantes, diversificados e sustentáveis. “Com esses atributos entregamos nossa essência: a autenticidade”, sintetiza o presidente-executivo do CICB, José Fernando Bello. O núcleo de Moda e Design da entidade define que não são as características folclóricas que retratam a identidade de moda de um país. Da mesma forma como não vemos quimonos nas coleções japonesas, os produtos brasileiros não devem se restringir a penas coloridas. Nossa moda é expressa pelo amplo repertório cultural do Brasil. “Quando se fala de identidade, temos de considerar os aspectos imateriais, criativos e que são de resposta cultural”, defende Bello.
NA ESTEIRA – Acessórios caracterizados por bandeiras, araras ou praias não devem prevalecer nas criações de uma moda genuinamente 'Made in Brazil'. “O calçado brasileiro possui uma história muita rica para contar, portanto, podemos fugir dos estereótipos”, alerta o coordenador de Projetos da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Cristiano Körbes. “O design é uma grande ferramenta para fugir do mainstream dominado pelas grandes marcas internacionais. E é essa consciência que a Abicalçados busca disseminar”, complementa.
NA VITRINE – Já a Associação Brasileira dos Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac) avalia que o varejo ainda tem uma ligação muito forte com a moda internacional adaptada ao Brasil, mas também vê crescer a procura por produtos que fogem aos padrões globais. “É expressivo o número de consumidoras que procuram por produtos de design ou cores que lhes permitam sair do lugar comum. Os lojistas também estão atentos às marcas que oferecem modelos inovadores.Quando identificam produtos com este perfil, adquirem e os colocam à venda, que quase sempre supera expectativas”, declara o presidente da Ablac, Antoniel Lordelo. Calçados com elementos visuais diretamente ligados à brasilidade destacam-se no ponto de venda quando há eventos de grande representatividade, como ocorrerá nos períodos de realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas.
Afinal, por que ainda copiamos tanto?
Se não há consenso sobre a existência de uma moda originalmente brasileira, a correlação entre a criação nacional e os lançamentos do Hemisfério Norte é ponto pacífico. “Essa sensação de dependência do que é lançado aqui em relação ao que a Europa apresenta em suas passarelas é uma questão histórica e cultural, que já começa pela imposição de que ‘eles’ é que estão à nossa frente no calendário. Poderia ser o contrário”, afirma o professor de História da Moda, João Braga.
Ele conta que em 1808, quando Dom João VI promulgou o decreto que abriu os portos do País ao comércio com as nações amigas, o conceito de que o que é importado é melhor começou a ser difundido. “O que o Brasil tinha a oferecer, em termos de vestimentas, era um algodão barato, usado para confeccionar a roupa dos escravos. O melhor vinha da Europa”. Mesmo depois de quase 300 anos, os fantasmas da colonização ainda assombram a indústria da moda.
“O mundo sempre terá suas inter-relações comerciais e culturais”, pontua o presidente- executivo do CICB, José Fernando Bello. Com consultoria do setor de Moda e Design da entidade, ele destaca que a quadrilha, dança folclórica característica das festas de São João em todo o País e mais evidente no Nordeste, tem suas origens antropológicas nas danças da corte francesa. “Estamos historicamente conectados com o mundo, não pela internet, mas pela cultura antropológica”, considera.
É fato que alguns países estão à frente em termos de design. Seus produtos são copiados por empresas de todo o mundo e disponibilizados aos consumidores com pequenas mudanças ou nenhuma adaptação. “O Brasil está inserido neste quadro, embora cada vez mais marcas busquem agregar aos seus produtos elementos próprios”, opina o presidente da Ablac, Antoniel Marrachine Lordelo.
O consultor Walter Rodrigues observa uma relação de dependência direta com o mercado europeu: “A moda feita aqui depende do exterior para tudo; forma, cor e materiais. É mais fácil fotografar uma vitrine internacional para criar uma coleção do que buscar entender os rumos do consumo”. E sugere que o ideal é manter uma relação equilibrada entre as tendências e a identidade própria da marca. “Ainda somos muito influenciados pelo que acontece no mundo. E não acho que isso seja errado. O que considero errado é que não há nenhum filtro, uma decodificação ou interpretação dos sinais para a nossa realidade”.
XONGANI NA RAÇA BRASIL!!!! E já está nas bancas! É a edição número 182, de semtebro. Lá, você confere um ensaio fotográfico de moda afrobrasileira, resultado de uma parceira entre a Xongani - arte com tecido e a Lions Project Photography. Os modelos, é claro, vestem peças Xongani: são vestidos, camisas, camisetas, agasalhos, turbantes e vários outros acessórios! Não deixe de conferir!!
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Conversa com Estilistas Durante o Latinidades 2013
Aconteceu em BSB no dia 26 de julho no Latinidades o bate papo entre 4 estlistas.
Makota Kizandembu fomentou a conversa
Mada Negriff- falou da sua historia de sacoleira a logista e como sua pagina no facebook garantem suas vendas. Ela lança todas as 6 feiras modelos novos e exclusivos, faça a 6ªfeira das Pretas , Sua roupa tem como marca registrada grandes bolsos, estampas que levamo nome de Mulheres da sua familia, Também comentou ela o desejo das mulheres pelo AMARELO, onde ela realizou a 6ªfera do amarelo. https://www.facebook.com/mada.negrif?fref=ts
a colocar no mercado em sua cidade uma moda com influencia nigeriana. Filha de Nigerianos ela é a 1ª geração nascida fora da Nigeria. Criou se adaptou e formulou uma moda afro que hoje vende por boa parte da Europa. https://www.facebook.com/GeoDbySamanthaJ?fref=ts
Conceição-SP- Botuafrica trouxe um projeto de estamparia que resgata a auto estima das mulheres negras. Este projeto teve apoio da prefeitura e hoje essas mulheres estão independentes na sua produção.
/A cultura de moda alinhavada com história, sustentabilidade e comportamento
A Holanda estampa a identidade africana
Por trás da exuberância das estampas africanas repousa uma história secular impressa na Holanda
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Start -Stop
O colorido é orgânico. Integra a moda africana e tinge a exuberância das estampas que marcam os tecidos e contextualizam impressões identitárias em sáris e turbantes. Os desenhos que envolvem as tribos nativas invadem - também - passarelas de grifes badaladas, galerias de arte e salões de design da Europa. Por trás das referências étnicas repousa uma história surpreendente que atravessa gerações e fronteiras geográficas nas mãos da Vlisco, empresa têxtil holandesa. Desde 1846 ela imprime uma estética deslumbrante e cheia de arte que conquistou a África e passou a fazer parte do caldeirão cultural de seus povos. O poder de sedução da Vlisco sobre o continente africano teve início em meados de 1840 com a venda de tecidos indonésios na África Ocidental. A matéria-prima exótica chegava às mãos dos alfaiates locais que criavam vestidos opulentos, com mangas bufantes e saias rabo-de-peixe. Esse consumo acabou por esboçar um design africano tradicional que a empresa têxtil holandesa soube aproveitar com uma fabricação própria. O legado que perdura até hoje reside na técnica da estamparia artesanal (Batik). Rolos de cobre gravam com cera os desenhos feitos à mão nos dois lados do tecido de algodão que na sequência é imerso em um banho de corantes. A tinta penetra nas áreas não cobertas pela cera derretida e lavagens posteriores finalizam o processo que faz cada centímetro têxtil único. Essa exclusividade é a força que incide sobre os clientes africanos que há mais de 160 anos foram conquistados pelas cores e estampas transformadas em vestimentas originais. A cada trimestre a empresa também lança roupas e acessórios de luxo que levam a etiqueta da marca e são comercializadas em lojas sofisticadas da África. Peças do vestuário contemporâneo dividem espaço com lenços, bolsas, carteiras, sapatos, cintos e turbantes - que como os tecidos - são verdadeiras joias. Tal reflexo está na coleção "Palais des Sentimenets" que reluz o brilho das lantejoulas e cristais Swarovski iluminando florais e folhagens. Combinações inusitadas para uma natureza ímpar feita em padrões gráficos que ostentam tradição e fascina o Ocidente.
Modelos negros protestam contra falta de representação no FR
Grupo de manifestantes do movimento Educafro protestam contra a falta de negros nas passarelas brasileirasFoto: Daniel Ramalho / Terra
Paula BianchiDireto do Rio de Janeiro
De braços dados e peito desnudo, um grupo de manifestantes do movimento Educafro percorreram os corredores da 22ª edição doFashion Rio nesta quarta-feira (7) para protestar contra a falta de negros nas passarelas brasileiras.
Segundo Moisés Alcunã, um dos coordenadores da Educafro, a ideia é cobrar a representação mínima de 10% de modelos negros em cada desfile. "Já entramos inclusive com uma representação no ministério público. O Brasil é tão rico e miscigenado quanto mal representado”.
"Até parece que somos um país nórdico!”, reclamou o ator Marco Rocha, que caminhava ao lado de Alcunã. “Se aqui fora temos atenção, por que não lá dentro?”, questionou.
Entre um desfile e outro, os modelos, com o rosto e corpo pintados, faziam performances, chamando a atenção do público. “A arte é a melhor forma de protesto, cria reflexão, faz as pessoas repensarem o seu lugar”, disse Alcunã.
A Educafro é uma organização nacional que promove a inclusão da população negra nas universidades públicas e particulares, além de lutar para que o Estado cumpra suas obrigações com a população negra pelo fim da discriminação étnica.
Fashion Rio Inverno 2013 O Terra, a maior empresa latino-americana de mídia digital, transmite ao vivo os desfiles de inverno 2013 do Fashion Rio, com exclusividade para web, inclusive para tablets, smartphones e TVs conectadas. Entre os dias 7 e 9, os desfiles serão transmitidos direto do Píer Mauá, na capital fluminense, pela parceria entre o Terra e FFW. Além das transmissões ao vivo, o Terra terá os blogs da apresentadora de TV Isabella Fiorentino e das jornalistas de moda Iesa Rodrigues e Tatiana Sisti.
O Fashion Rio reúne 18 desfiles em uma edição extra, a terceira de 2012, responsável por finalizar a transição para o novo calendário da moda brasileira. Seriam 19 desfiles ao todo, no entanto a grife Ágatha cancelou sua apresentação. A partir de 2013, os desfiles da coleção verão acontecerão em março de cada ano e os de inverno em outubro.
Lutas e conquistas do Movimento Social Afrodescendente e o Movimento Ilê Aiyê
Resumo:O presente artigo tem como tema o movimento Social Afrodescendente e o Movimento Ilê Aiyê e seu processo sócio-histórico, bem como seu surgimento,conceitos, lutas e resistência. Fazendo uma reflexão em relação a inserção do negro no mercado de trabalho e no âmbito educacional.Tendo como foco principal o Bloco Carnavalesco baiano Ylê Aiyê como movimento artístico,musical e cultural negro, que tem por finalidade superar toda e qualquer forma de racismo e preconceito. A metodologia utilizada foram recursos bibliográficos como: livros, artigos e por via internet.
Cintia Valéria De Souza Silva*1 Misleyanne Alves Rosa*
Palavras-Chaves: Movimento Afro-descendente; Negro; Ilê Aiyê.
1-Introdução
O referente artigo pretende apresentar como o Movimento Social Afrodescendente surge na perspectiva de combate à diferença sócio-cultural entre negros e brancos, com o propósito de luta pela igualdade e afirmação da identidade negra.
O Movimento Negro teve várias fases passando por muitos períodos históricos, por muitas vezes sendo calados, mas resurgindo mais forte e unido na luta contra o racismo, preconceito e desigualdade racial.
O artigo está dividido em três partes: iniciando com a trajetória sócio-histórica do negro desde a escravatura até os dias atuais, apontando o marcos mais relevante como lutas, a fim, de garantia de direitos e o reconhecimento na sociedade.
Em seguida refere-se a inserção do negro no mercado de trabalho, que nos dias atuais, enfrenta grandes desafios, pois o ambiente de trabalho é um lugar onde se firmam atitudes de preconceitos e racismo.
Na educação, a partir de posturas preconceituosas presentes nos livros didáticos, se consolidou a Lei nº9.394/96, sendo alterada em 2003 pela Lei nº10.639/03, que instituiu as Diretrizes Curriculares para o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira Africana no Ensino Fundamental e no Ensino Médio.
E por fim, o Bloco baiano carnavalesco Ilê Aiyê, que vem resgatar a cultura africana ao som de batuques e tambores com os mais belos da história baiana trazendo muita alegria ao seu povo.
2-Movimentos Sociais
Os movimentos sociais são considerados como uma fonte da formação de política e teve um papel de destaque nas lutas contra o regime militar, onde as ações do estado eram questionadas.
Os movimentos contestavam diversas formas de segregação que a ditadura impunha a muitos setores da sociedade, mas foi nos anos 80 que os movimentos foram fortalecidos graças a intensa organização civil em torno dessas questões.
São ações coletivas que agem como resistência a exclusão e lutam pela inclusão social. Segundo Gohn “movimentos sociais são ações sociais coletivas de caráter sócio – político e cultural que viabilizam distintas formas da população de se organizar e expressar suas demandas” (2001; p.13). Essas organizações partem de uma simples denúncia e são expressas a partir de ações como mobilizações coletivas.
A partir das reflexões de Ilse Scherer-Warren, pode-se caracterizar movimento social como um “grupo mais ou menos organizado, sob uma liderança determinada ou não; possuindo programa, objetivos ou plano comum; baseando-se numa mesma doutrina, princípios valorativos ou ideologia; visando um fim específico ou uma mudança social” (1987;p.13).
3- Movimento Negro
Com o passar do tempo, os movimentos sociais ganharam novas identidades, dentre elas as questões étnico – raciais, como por exemplo, o movimento afro-brasileiro que deixou de ser predominantemente movimento de manifestações culturais para ser também de luta de construção de identidade e de luta contra a discriminação racial e todas as formas de preconceito. (GOHN;2001)
(…)Movimento negro é a luta dos negros na perspectiva de resolver seus problemas na sociedade abrangente, em particular os provenientes dos preconceitos e das discriminações raciais, que os marginalizam no mercado de trabalho, no sistema educacional, político, social e cultural. Para o movimento negro, a questão racial, é por conseguinte uma questão de identidade racial, é utilizada não só como elemento de mobilização, mas também de mediação das reivindicações políticas.Em outras palavras para o movimento negro, a “raça” é o fator determinante de organização dos negros em torno de um projeto comum de ação.
Uma cultura que difere dos “padrões da normalidade2″ que é imposto pela sociedade legitimada por preconceitos o negro é “inferiorizado” ( em vários aspectos, dentre eles destaca-se a cor da pele que muitas vezes é motivo de risos e piadas. Possuem um patrimônio cultural diversificado, saberes que dizem respeito à religião,culinária, música e dança etc. A enorme dificuldade em ingressar no mercado de trabalho e nas Universidades marcam essa luta.
A participação do povo negro na construção da sociedade brasileira, nos ajuda na superação de mitos, na discussão sobre a áfrica escravizada com uma visão de caráter selvagem, incivilizado ou inferiores pela cor da pele (JARDIM;2012). Precisa-se romper com esses preconceitos arraigados em nosso imaginário social que tendem a tratar a cultura negra e africana como sofrimento, miséria ou pessoas menos favorecidas(GOHN;2001).
Os movimentos negros visam resgatar e garantir a construção de oportunidades iguais que primam pelo conhecimento garantindo os direitos e a valorização da história, da cultura e da identidade dos mesmos, direcionando a população negra quanto às reivindicações, para que os negros fossem integrados de fato à sociedade, usufruindo os mesmos direitos enquanto cidadãos (DOMINGUÊS;2007). Lutam juntos por uma sociedade anti-racista e igualitária, alcançando a equidade entre raças e classes, como forma de eliminar as desigualdades sociais, presentes em nosso país desde a colonização, explorando os que são “desiguais” em classe e cor.
A luta dos negros vem tentando resolver seus problemas na sociedade que é composta por indivíduos preconceituosos e racistas, que os marginalizam,oprimem e os humilham em diversos segmentos como educação, política, mercado de trabalho entre outros. Lutam para garantir o fortalecimento e manutenção de suas culturas e valores e, sobretudo sua identidade enfrentando toda e qualquer forma de exclusão racial (ARAÚJO Jr;2005).
Nas décadas de 60 e 70 a juventude brasileira ligada aos movimentos sociais negros, reforça sua identidade através da música, por meio do Soul Music e da moda através do estilo Black Power, essas formas de representação social que até hoje está ligada ao negro, se iniciaram nos Estados Unidos juntamente como o movimento pelos direitos civis em que Martin Luther King lutava pela igualdade entre negros e brancos. (MERLO;2011)
Dentre as lutas e representações de resistência do povo negro lembramos os grandes marcos como Zumbi dos Palmares, reconhecido como um dos principais representantes da resistência negra a escravidão no período do Brasil colonial,Revolta dos Malês e Chibata, manifestações decorrentes de um processo histórico de insatisfações individuais e coletivas.
Sabemos que os negros foram trazidos da África para o Brasil, tiveram que lidar com o novo o desconhecido e arbitrário nesse contexto essa população teve que se reinventar, sendo obrigados a deixarem de praticar seus costumes adotando práticas europeias. Viam em embarcações chamadas de navio negreiro, em péssimas condições sem nenhum respeito eram maltratados e humilhados, ao chegarem no Brasil eram vendidos para os donos de terra (MEDEIROS;2008).
Alguns negros resistiam, fugiam e formavam os quilombos, que eram comunidades grandes de negros, escondidos na mata fechada. Diante dessa junção em pequenos grupos foram nascendo os primeiros movimentos organizados. Moraes enfatiza que, após a abolição da escravidão, os primeiros anos foi marcada por uma longa luta para efetivação de uma verdadeira liberdade á população negra. Apesar do pequeno contingente de escravos libertos em 13 de maio de 1888, a grande parcela da população brasileira definida étnica e racialmente como negra foi tomada pelas autoridades como um problema para o desenvolvimento da nação. (MORAES,2010).
Andrews aponta que:
Com a proclamação da república a situação ficou ainda pior para a população negra,uma vez que a oligarquia agrária se instalou no poder. O governos oligárquicos que se instalaram na América Latina entre 1889 e 1930 foram extremamente refratários em relação a populações negras. (GEORGE ANDREWS,2007apud MORAES,2010, p.36).
Diante dessa realidade os escravos, agora libertos não mediram esforços para encontrar saídas ao caso de exclusão e opressão mantido no pós-abolição, surgiram nas principais capitais mobilizações definidas como protesto negro. (MORAES,2010) A imprensa negra3 foi um dos primeiros movimentos negros, deu inicio a profundas mudanças no país a partir de ideias que buscavam levantar assuntos como forma de protesto antirracista nos jornais que circulavam no pais. (FERNANDA MERLO; 2011).
Procurava dentro das possibilidades da época lutar pela integração da população negra no ambiente social urbano daquele período, a questão educacional era uma das principais reivindicações, vista como possibilidade de obterem um lugar digno no seio da sociedade. (MORAES;2010).
A partir daí surgem movimentos que vão dando força ao movimento negro no país, entre eles está a Frente Negra Brasileira (1931-1937) que se inicia em São Paulo, objetivando a interação do negro na sociedade para que o mesmo usufruísse dos mesmos direitos dos brancos, visto que, os negros viviam as margens, impedidos de exercerem seus papeis devido à hierarquia de raças imposta à sociedade (MORAES;2010)
Em 1937, com o golpe do Estado Novo de Getúlio Vargas,a Frente Negra foi fechada e proibida de funcionar. Em 1944 no Rio de Janeiro surge o Teatro Experimental do Negro- TEN, é um dos movimentos mais reconhecidos, criado por Abdias do Nascimento para contestar a discriminação racial através da formação de atores e dramaturgos afro-brasileiros.(MORAES;2010) Conforme Jeruse Romão:
A educação do Teatro Negro incorporou ao projeto: a perspectiva emancipatória do negro em seu percurso político e consciente de inserção no mercado de trabalho ( na medida em que pretendia formar profissionais no campo artístico no teatro) (ROMÃO,2005, apud MORAES,2010,p.43)
O TEN4 reuniu pessoas comuns operários, empregadas domésticas, pessoas sem profissão definidas, e implicou em sua atuação um comprometimento de caráter pedagógico indo além da formação de atores, tendo por base um veiculo poderoso de educação popular, tornando-os mais conscientes e autônomos (MORAES;2010).
4-Mercado de Trabalho
Desde 1886, vários países do mundo celebram o dia 1º de maio como a data comemorativa das conquistas dos trabalhadores ao longo da história. No Brasil, mesmo com a Consolidação das leis do trabalho – CLT em 1943, as diferenças históricas desfavoráveis aos negros no mercado de trabalho ainda persistem.(JARDIM,2012).
A população negra é alvo de desigualdade no mercado de trabalho, sua inserção no campo profissional enfrenta grandes desafios, pois o ambiente de trabalho é um lugar onde centram atitudes que transmitem preconceito e racismo.
Os campos de atuação profissional são setores em que predominam postos de trabalho com menores exigências de qualificação e experiência profissional, menores remunerações, e consequentemente condições de trabalho mais precárias e menos valorizadas socialmente; como por exemplos: empregos domésticos e na construção civil entre outros. (JARDIM, 2012).
E comum pessoas negras ocupando cargos de inferioridade e submissão mesmo tendo capacidade, habilidade e escolaridade para exercerem cargos de liderança.
5-A lei 10639/03
A Lei nº 10.639/03 5é uma alteração da Lei nº9.394, de 20 de dezembro de 1996, que instituiu Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de História e Cultura Afro- Brasileira e Africana.
De acordo com Moraes(2010) conhecer nossas origens e nossas raízes é buscar sedimentar nossa identidade ainda inconclusa
Estudar e refletir sobre a África de ontem e de hoje, a história do Brasil contada na perspectiva do negro, com exemplos na política, na economia, na sociedade em geral é um dos objetivos que precisamos alcançar.[...]a constante presença da marca africana dos nossos ancestrais na literatura, na música,na criatividade,na forma de viver e de pensar,de dançar,de falar,de rezar e festejar.(Moraes,2010,p.7)
A escola é uma instituição que forma gerações e tem como competência de respeitar matrizes culturais e constrói identidades, visando a dignidade do indivíduo, respeitando as especificidades da herança cultural inclusa na infinita diversidade que constitui a riqueza humana.
A Lei nº9.394/96 passou a vigorar acrescida dos seguintes artigos:
Art.26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficinas e particulares, torna-se obrigatório e cultura Afro-Brasileira[...].
Art.79-B.O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como “Dia Nacional da Consciência Negra”6 Porém, a implementação dessa Lei é defeituosa por dois motivos.O primeiro,sendo por não há uma qualificação adequada na formação dos professores para ministrar os conteúdos obrigatórios sancionados na Lei.O segundo, seria pela falta de estabelecimento de metas para esta implementação e a não indicação do órgão responsável por tal fiscalização.(MORAES;2010) Devemos ter certos cuidados em relação a abordagens do ponto de vista pedagógicos, no que se refere o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e africana. A problemática não está na escolha do tema a veiculação de ideias racistas, mas,sobretudo, “na abordagem, na escolha de materiais, no cuidado com a construção dos argumentos”(MORAES;2010,p.23), mas na não discussão de situações cotidianas em que o preconceito se expressa, tanto na sala de aula como nos outros espaços e momentos escolares.
6-Ilê Aiye
Em 1º de novembro de 1974, em plena ditadura militar, o Ilê Aiye inicia sua trajetória e lutas, no Curuzu-Liberdade, bairro de maior população negra no país, onde vivem cerca de 600 mil habitantes. O bloco nasce no espaço sagrado do Terreiro de Candomblé de nação gêge-nagô Ilê Axé Jitolu, comandado pela saudosa Mãe Hilda Jitolu (ALVES;2011).
A sua fundação no meio da ditadura militar é prova de coragem, da inteligência e da força que emana a cultura baiana. O bloco vem mostrando a beleza da música negra sempre seguiu o objetivo artístico – estético de superar o racismo e os preconceitos . A cultura nesse período também era uma expressão política. Embora seja um movimento artístico, musical e cultural negro, qualquer manifestação cultural nessa época era considerada agitação política. Assim entende a consciência política que o Ilê Aiye vem cultivando desde o inicio.
O Ilê Aiyê 7resume o espírito do negro, que mesmo fadado a tortura e a desumanização em terras antes desconhecidas, deu ao Carnaval um toque todo especial,um bloco que perpetua o anseio em ser respeitado,em passar as tradições, de todo um povo, de uma raça, para todos os seus descendentes,conquistando, como o Carnaval o fez,brancos,negros e amarelos, ou seja, simplesmente todos,absolutamente todos.
Os batuques dos tambores e o timbre forte das vozes do Ilê Aiyê se potencializam e mostram o Carnaval de Salvador na plena flor de sua tradição africana profunda arraigada por raízes negras no solo fértil do Recôncavo Baiano (ALVES;2011).
O objetivo da entidade é preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira, para isso, desde que foi fundado,vem homenageando os países,nações e culturas africanas e as revoltas negras brasileiras que contribuíra, fortemente para o processo de fortalecimento da identidade étnica e da auto-estima do afro-brasileiro.
O Ilê Aiyê herdou os fundamentos e princípios do Candomblé, como a compreensão da convivência social, o respeito aos mais velhos e o aproveitamento da simbologia para suas canções,toques,adereços e figurinos, sem ferir os fundamentos religiosos. Como uma agremiação da comunidade negra, firmou-se como um dos principais agentes no resgate da auto-estima e elevação da consciência da população negra da capital da Bahia, dando exemplo para o paaís todo, em preservar e conhecer, um pouco mais, uma matriz importante da Cultura Brasileira.
Falando do seu movimento rítmico,inventado na década de 1970, foi responsável por uma revolução no carnaval baiano. A partir desse movimento, a musicalidade do carnaval da Bahia ganha força com os ritmos oriundos da tradição africana favorecendo o reconhecimento de uma identidade peculiar baiana, marcadamente negra.
A musicalidade do bloco também mantém-se tradicional, calcada no batuque dos tambores e na potência das vozes, exaltando a grandeza e magnitude do que é ser negro, e ter orgulho em pertencer a um povo que vem superando todas adversidades impostas pela História.Entre os maiores sucessos do bloco estão “Que Bloco É Esse”, “Depois que o Ilê Passar”, “Charme da Liberdade”, “Viva o Rei”, “Décima Quinta Sinfonia”, “Exclusão”, “Deusa do Ébano”. Assim, um pouco da história africana, ou se preferir, da história afro-abrasileirada do negro no Brasil, se tornou parte do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia, cujas tradições culminam todo ano no mais espetacular de todas as festas do Carnaval de Salvador, que expressa desde a sua primeira apresentação no carnaval de 1975,o orgulho de pertencer ao Mundo Negro.
7-Considerações finais
Ao longo do artigo buscamos analisar a realidade dos Movimentos Sociais Afrodescendente inserido em uma sociedade economicamente e socialmente desigual. Como e o que podemos fazer para mudar essas concepções que estão internalizadas desde o tempo colonial, que até hoje reina na sociedade.
Dando extrema importância as manifestações e lutas para mudar essa realidade, as e sobretudo as pessoas que foram sacrificadas em busca de igualdade de direitos, respeito, dignidade e liberdade.
É necessário antes de tudo romper com os nossos próprios preconceitos, arrancar do nosso interior toda carga negativa de racismo e interiorização ao negro, para que assim possamos nós juntar aos movimentos por uma sociedade igualitária.
Essas questões devem ser discutidas cotidianamente, para que possamos conscientizar as pessoas e principalmente as autoridades. Com este estudo podemos concluir que os movimentos sociais assumem grande relevância na garantia de oportunidades iguais. Lutam em prol de uma sociedade anti-racista, afim de alcançar a equidade entre raças e classes.
O Ilê Aiyê é um Bloco carnavalesco da Bahia, que através de ritmos oriundos dos batuques dos tambores expressa o orgulho em ser negro, apesar das adversidades enfrentadas no cotidiano devido o arcabouço de preconceito construídos desde o ensino da História. O bloco firmou-se como um dos principais agentes em trazer a auto-estima e elevar a consciência da população negra,dando exemplo ao país inteiro, em preservar e conhecer a matriz importante da Cultura Brasileira.
8-Referências Bibliográficas
GOHN,Maria da Glória.Movimentos sociais no inicio do século XXI: antigos e novos atores sociais, 3ed.- Petropolis, RJ: Vozes,2007.
GOHN, Maria da Glória. História dos movimentos e lutas sociais: a construção da cidadania dos brasileiros- 5°ed- São Paulo: Edicões Loyola,2001.
MEDEIROS, Cleia.História e Cultura afro-brasileira e africana na escola.Iradj Roberto Eghrari,coord.-Brasília:Ágere Cooperação em Advocacy,2008.
As conquistas do povo negro e a valorização de sua identidade- Disponível em http://blogueirasfeministas.com/2012/11/as-conquistas-do-povo-negro-e-a-valorizacao-de-suaidentidade/.Acessado em 18/02/2013.
MERLO, Fernanda Rasseli de.História do movimento negro no Brasil. Disponível em http://identidadesgeneroeracadm.blogspot.com.br/2011/12/historia-do-movimento-negro-no Acessado em 15/02/2013.
DOMINGUÊS,Petrônio. Movimento Negro Brasileiro:alguns apontamentos históricos.2007,disponível em . Acessado em 31/01/2013.
JARDIM,Drielly.População negra ainda sofre com a desigualdade no mercado de trabalho.2012. Disponível em http://www.palmares.gov.br/2012/04/populacao-negra-ainda-sofre-com-a-desigualdade-no-mercado-de-trabalho/ . Acessado em 15/02/2013.
ALVES,Murilo.Bocos Afro:Ilê Aiyê. Disponível em https://www.afroxe.com.br/portal/index.php/blogafroxe/44-blocos-afro-ile-aye#sthash.Iih2Fwqo.dpuf . Acessado em 01/03/2013.
Resgate e preservação da cultura afro-brasileira. Disponível em http://www.avidaeumaviagem.com.br/blog/ile-aye/ .Acessado em 01/03/2013
O Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê,Salvador,Bahia . Disponível em http://www.ileaiye.com.br/ .Acessado em 01/03/2013
Zica Assis é dona de uma rede de estética; segunda edição do prêmio aconteceu nesta quinta-feira, 20, em São Paulo
ESTADÃO PME
Sérgio Castro/Estadão
Ela mantém negócio que emprega 1,7 mil pessoas
A ex-faxineira Heloisa Helena de Assis, hoje dona de uma rede de beleza com 1,7 mil funcionários, foi escolhida empreendedora do ano na 2ª edição do Prêmio Estadão PME, que aconteceu na manhã desta quinta-feira, 20, em São Paulo. ::: Siga o Estadão PME nas redes sociais ::: :: Twitter :: :: Facebook :: :: Google + ::
Conhecida como Zica Assis, a empresária é protagonista de uma história impressionante de sucesso. Sem nunca ter estudo sobre o assunto, ela desenvolveu um produto para diminuir o volume dos cabelos crespos, até hoje o carro-chefe de sua rede de estética com 13 unidades, o Instituto Beleza Natural. O negócio emprega 1,7 mil funcionários e tem previsão de abrir mais cinco lojas, três delas em São Paulo ainda em 2013.
"Empreendedorimso é uma palavra que conheci há pouco tempo, mas que fazia já há muito tempo", disse Zica, que recebeu a homenagem durante a cerimônia do Prêmio Estadão PME. O evento aconteceu no Cultura Artística, localizado no bairro do Itaim Bibi, zona oeste da capital paulista. Premiou os destaques em cinco categorias: Empreendedorismo social, Minha história de sucesso, Negócios inovadores e Sustentabilidade empresarial.
História. Zica começou a trabalhar com 9 anos como babá. Foi faxineira e empregada doméstica, mas nunca desistiu do seu sonho: desenvolver um produto para tratar seu cabelo, crespo e muito volumoso. Depois de dez anos de pesquisa, ela chegou a uma formulação e criou o Instituto Beleza Natural, rede especializada em cabelos crespos e ondulados.
A empresa surgiu de uma necessidade pessoal de Zica. "Eu tinha um cabelo muito crespo, muito volumoso e não entrava pente. E quando eu comecei a trabalhar, as pessoas associavam isso a desleixo", contou. De família humilde, Zica começou a trabalhar cedo. "Meu pai era biscateiro (fazia bicos), minha mãe era lavadeira e eu tinha 13 irmãos. Comecei como babá e não parei mais", lembrou.
Com 21 anos, a empresária resolveu pesquisar o próprio cabelo para entender porque ele era tão volumoso. Foi fazer um curso de cabeleireira na comunidade do Catrambi, na zona norte do Rio de Janeiro. "Eu me encontrei como cabeleireira, mas não encontrei o resultado que queria pro meu cabelo. Mesmo assim não desisti e fui em busca do meu sonho", disse.
Como no curso sempre aparecia alguém para oferecer produtos para alisamento, Zica conseguiu matérias-primas para desenvolver seu produto em casa, na bacia e com colher de pau. "Consegui desenvolver uma formulação que deu jeito no meu cabelo. A fórmula é segredo de estado", destacou.
Mas até chegar na formulação ideal, Zica fez muitos testes no próprio cabelo e perdeu muitos fios. Até o irmão ajudou na fase de pesquisa. "Minha família é muito numerosa e era lei os mais novos obedecerem os mais velhos. O que eu fiz: peguei um irmão para ser cobaia do produto. Como ele era pequeno, obedecia", contou.
Ao descobrir a fórmula do produto relaxante, Zica trabalhava como empregada doméstica e conversou com algumas patroas e com o irmão, que aconselharam a procurar um químico para registrar a formulação. Para colocar o produto em ação, Zica resolveu montar um salão. "Mas como abrir um salão se eu ainda era empregada doméstica com 33 anos? Não tinha um dinheiro no bolso", contou.
A ajuda veio do marido Jair Conde, que vendeu o único bem da família, um Fusca, e do irmão Rogério Assis e da amiga Leila Velez, que investiram R$ 4,5 mil na abertura do negócio. "Com três meses, a fila se formava às 5h da manhã com o salão abrindo às 8h", disse. Hoje, Zica comanda o instituto com salões no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. O negócio ainda inclui um centro de desenvolvimento técnico e uma fábrica com capacidade de produção de 300 toneladas por mês, que cresce 30% ao ano.