Conheça a •{Tribe}•, uma marca de turbantes cheia de estilo
Era uma vez duas amigas que possuíam marcas distintas e que resolveram unificar elas. Assim, surgiu a •{Tribe}•, uma marca de turbantes estilosa, criada por Luna e Vanessa. As garotas também comandam o Project Tribe, uma iniciativa que busca ressaltar o poder da beleza feminina através das redes sociais.
Luna e Vanessa Confira a entrevista que fizemos com Luna, que nos contou um pouco mais sobre seu estilo, a história da marca e também do projeto:
UseFashion: Você tem uma história de vida bem incrível, já viajou e morou no exterior, conheceu personalidades importantes da política internacional. Você acredita que toda essa experiência de vida contribuiu para o seu estilo de vestir?
Luna: Bom, o meu estilo foi evoluindo de acordo com meu crescimento espiritual e conexão com minha essência. Mas isso também engloba toda minha interação com o mundo. Eu tenho certeza de que essas experiências agregaram muito para meu estilo pessoal também. Quando eu conheci o Presidente Obama, eu fiquei me perguntando... que roupa coloco pra conhecer o Obama? (risos) Se pra ir trabalhar a gente fica em dúvida de roupa, imagina pra este tipo de coisa! Foi bom por um lado, porque eu fiquei com uma sensação de que a energia que troquei nesses encontros, com essas pessoas, me acordou. Me deu muita autoconfiança e noção de realidade... e isso com certeza se reflete no meu estilo ainda mais.
UF: Nos fale a respeito da junção das duas marcas que resultou na •{Tribe}• L: A minha marca Crowns of Nyanga foi fundada e mesclada com o Project Tribe. Como eu e a Vanessa começamos nossa parceria do nada, nossas marcas individuais se fundiram no que é o Tribe. Não dava para manter tudo ao mesmo tempo. Então, Crowns of Nyanga se tornou •{Tribe}•. A produção é toda independente... eu e Vanessa escolhemos os tecidos e as estampas, mandamos fazer os turbantes e criamos toda a identidade visual, material de marketing, etc... para promover a marca, além de ter nossos empregos e vidas pessoais! (risos) é coisa pra caramba! A recepção da marca no Brasil tem sido boa! Muita repercussão e oportunidades ótimas têm se apresentado neste meio tempo, mas nossa vontade mesmo é fazer com que •{Tribe}• seja uma marca sólida que gere renda e sustento para que nos dediquemos a ela full time.
UF: Como surgiu a ideia do projeto? E qual é o seu propósito principal? L: O projeto surgiu porque eu e Vanessa estávamos cansadas de somente ter uma marca. Eu tinha Crowns of Nyanga e ela tinha Bazaar Bohemian. Nosso desejo individual é que a marca agregue na questão de valorização da mulher e na autoestima de mulheres como nós, que trabalham e tentam fazer o que amam ou simplesmente estão nesse caminho de realizar sonhos. O propósito principal é de conectar criativas no mundo todo através de suas histórias pessoais e de quebrar esse mito de que mulher é competitiva, amarga, frustrada e só serve para casar e administrar a vida em família. Através da mensagem que todas as rainhas mandam umas para as outras, nós estamos reforçando a imagem positiva da mulher. Nos consideramos uma força guerreira, cheia de vida, sabia, criativa, realizadora, que sabe dar suporte e que emana luz e positividade através da beleza e conexão com o outro. Esse é o propósito do Projeto, de conectar criativas, valorizar o talento em cada uma delas, e fazer com que a rede de suporte colaborativo cresça cada vez mais.
UF: Você já viajou para diferentes lugares, e para fora do país, onde pode perceber o estilo de diferentes culturas. Como as brasileiras lidam com o turbante na composição dos looks? São adeptas ou ainda tímidas? L: No Brasil eu tenho visto que cada vez mais as meninas estão usando acessórios no cabelo, especialmente faixas que são um pouco menores que os turbantes... e em muitos casos, já vejo turbantes mesmo... tô achando o máximo! Sem contar que tem dias que a gente tá achando tudo ruim...o cabelo fica ruim, a cara fica ruim, o tempo fica ruim... o turbante dá um super levante no visual! Obriga a gente a andar de cabeça erguida, mesmo que esteja num dia ruim!
UF: Quem pode vestir o turbante? E de que forma ele pode ser usado? L: O turbante pode ser usado por todas nós mulheres! Ele é um simbolo de resistência cultural, de beleza e status, de ancestralidade, de realeza e principalmente o turbante é uma forma de celebrar a cultura Afro-Brasileira, que está presente em todo nosso povo de uma forma tão bela. O turbante representa a real beleza da mulher. Nos lembra de nossa posição como Rainhas neste universo muitas vezes tão difícil. Ele pode ser usado com esse intuito... ser um lembrete de que dentro de cada uma de nós existe um poder maior, que nos faz gerar vida, e nos dá força...em todos os sentidos.
Nós do Project •{Tribe}• sempre reforçamos que queremos que toda mulher use a "Coroa", porque não é só mulher negra que está autorizada a usar turbante! É uma forma de mostrar respeito e apreciação da cultura Afro. E em diversas culturas o Turbante é usado (Na Rússia, Turquia, Índia, etc.), não só na cultura africana.
UF: A peça, por ser colorida e estampada, é associada aos looks veranis, como vocês trazem o turbante para as composições de inverno? L: Bom, além de eu morar no Rio e viver 80% do tempo no verão (risos), eu não acredito muito nessa coisa de usar estampas só quando tá calor não! Acho que cores e vitalidade de estampas devem estar presente nas nossas vidas sempre! O colorido nos traz uma nova energia, e mesmo que as roupas sejam mais neutras... nada impede uma estampa de vir para dar um toque alegre à composição... ou mesmo uma cor sólida, no intuito de quebrar a neutralidade das peças. Eu amo mistura de estampas. Vanessa e eu somos conhecidas por nossas misturas e aventuras no mundo das cores, porque faz parte da nossa essência nos vestirmos e agirmos com mais liberdade. Não nos guiamos por tendências de moda. Nos guiamos por meio dessa evolução do mergulho na vida. A descoberta da nossa essência a cada dia mais e a conexão com nossa Deusa interior guiam nossas escolhas na hora de nos "montar" (risos), parece que estou falando uma coisa hippie, mas é uma das verdades mais lindas que existe.
UF: Como vocês tem percebido a repercussão com as participantes na rede? L: A repercussão tem sido ótima.Todas as meninas que participaram até hoje amam o projeto e querem que ele se torne uma plataforma física. Até agora temos mulheres da Sérvia, África, Holanda, EUA, Brasil, Caribe, Canadá, etc. ... todas participando livremente e curtindo cada vez mais o conceito do projeto. Em três meses crescemos em quase 9 mil seguidoras no Instagram, em duas semanas mais de 800 curtidas no Facebook e temos o potencial de alcançar ainda mais pessoas, porque somos genuinas e estamos trabalhando para isso.
Para participar do Project Tribe basta posar usando um turbante com o adesivo da causa na mão e responder à pergunta: “Se você pudesse enviar uma mensagem inspiradora a mulheres do mundo todo, que mensagem seria essa?”. Após isso a foto é publicada no tumblr. Confira um exemplo acima (foto).
Cris Olivette A fundadora da Cia. das
Tranças, Chris Oliveira, era produtora de moda antes de criar um salão
especializado em cabelo de pessoas negras. “Não gostava do atendimento
que recebia nos salões e passei a cuidar sozinha de meu cabelo.” O
resultado foi tão bom que as pessoas começaram a elogiar e a [...]
Especializada em penteados afro, Chris tem público masculino forte que curte dreads e tranças
Cris Olivette
A fundadora da Cia. das Tranças, Chris Oliveira, era produtora de
moda antes de criar um salão especializado em cabelo de pessoas negras.
“Não gostava do atendimento que recebia nos salões e passei a cuidar
sozinha de meu cabelo.”
O resultado foi tão bom que as pessoas começaram a elogiar e a
perguntar quem cuidava de seus cachos. “No início, fiz alguns cabelos
por hobby. Nesse processo, vi que muitas pessoas tinham a mesma
infelicidade que eu, por não encontrar bons salões. Usei as críticas a
meu favor e criei um salão como sempre sonhei encontrar.”
Após 12 anos, Chris comanda uma equipe com 13 profissionais. “Há dois
anos cuido só da gestão da empresa, e tem sido ótimo porque nesse
período o negócio cresceu 50%.” Ela diz que 80% de seu público é de
mulheres. “Em relação a dreads e tranças, tenho um público masculino
forte.” Chris diz que não são só negros que buscam penteados afro.
“Recebemos japonesas, loiras, mas é claro que negros representam 80%.”
A atividade de Chris, engrossa o estudo que aponta crescimento de 29%
no empreendedorismo entre negros, ocorrido em uma década. Os dados são
da Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílios (PNAD), feita pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que considerou o
período entre 2001 a 2011. Segundo o estudo, o empreendedorismo entre
negros passou de 43% para 49%.
O consultor de marketing do Sebrae-SP Marcelo Sinelli pondera,
entretanto, que o que cresceu muito, na verdade, foi o número de pessoas
que se declaram negras. “Para o IBGE, o critério que define se uma
pessoa é negra ou não é a autodeclaração. É provável, que muitos já
fossem empreendedores, mas não se declaravam negros.”
Sinelli diz que as transformações ocorridas na sociedade brasileira
nos últimos 20 anos contribuíram para a mudança de postura. “Está tudo
atrelado. O crescimento do orgulho de ser negro, a ascensão social das
classes C e D, e o aumento do acesso à informação abriram uma série de
oportunidades, estimulando negócios específicos, que podemos chamar de
consumo étnico.”
Ana Paula (à esq.) e Cristina investem na cultura africana
A sócia da Xongani, Ana Paula Xongani (foto na capa), está entre os
que privilegiam o consumo étnico. “Assim como outros negócios voltados
ao público negro, a Xongani nasceu para cobrir uma lacuna. Não havia no
mercado acessórios que valorizassem a cultura africana.”
Cristina, sócia e mãe de Ana Paula, afirma que a profissionalização
da marca veio a partir da demanda. “Tudo foi concebido para atender as
necessidades das mulheres da família. Com o tempo, recebemos encomendas e
o negócio cresceu.”
Hoje, após quatro anos de mercado, a Xongani produz 26 itens como
sapatilhas, brincos, pulseiras e turbantes. “No ano passado, lançamos
nosso primeiro modelo de vestido de noiva afro-brasileira. Nosso
principal diferencial está nos tecidos, importados da África”, diz Ana.
Além de vender pelo e-commerce, a marca vai aonde o publico está.
“Participamos de grandes eventos realizados em todo o País como o
Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros, Feira Preta,
Afrolatinidades, Rua do Samba, Festa de São Benedito e Feijoada da Mãe
Preta. Também visitamos eventos na periferia de São Paulo.”
Uma das precursoras desse movimento de valorização de produtos
específicos para a população negra foi a fundadora da Muene Cosméticos,
Maria do Carmo Valério, de 81 anos. “Foi muito difícil ajustar as
fórmulas porque o Ph da pele negra é diferente. Tive de mudar várias
vezes de químico.” No mercado há 25 anos, a Muene comercializa 121
itens, tendo como carro-chefe o pancake, com nove tonalidades.
Araújo (centro), criou agência especializada em modelos negros há 14 anos. Hoje, seu book tem 200 nomes
Antes de fundar a agência HDA Model, Helder Dias Araújo era professor
de passarela e coreógrafo na Bahia. “Vim para São Paulo praticamente
sem dinheiro. Trabalhei três anos em uma agência. Quando ela fechou, vi
que não havia na cidade uma agência especializada em modelos negros.
Agarrei essa oportunidade. Hoje, 14 anos depois, capacito e formo
profissionais. Nosso book contém mais de 200 modelos.”
Ele conta que o curso de modelo tem 33 matérias como etiqueta,
teatro, passarela, nutrição, maquiagem e postura. “Na metade do curso,
que dura seis meses, eles participam de uma banca que avalia quem está
tendo um bom aproveitamento e deve concluir a formação.”
Helder afirma que os aspirantes a modelo passam por avaliação e são
indagados sobre os estudos. “É fundamental que o modelo continue
estudando. Essa carreira é efêmera e muitas vezes ingrata. Eles precisam
ter os pés no chão.”
O empresário diz que o mercado para modelos negros está crescendo.
“Mas acredito que não foi o mercado que se abriu e sim, foi o negro que
se conscientizou e está buscando seu espaço. Os negros perceberam,
enfim, que a grande ferramenta é a educação, com ela é possível ir aonde
quiser.”
Adriana, fundadora da Feira Preta
Militância empreendedora impulsiona negócios
Formada em gestão de eventos e com especialização em arte e cultura,
Adriana Barbosa é uma empreendedora engajada. Desde 2002, realiza
anualmente a Feira Preta. “Criei a feira pela necessidade de haver um
evento com esse recorte racial de segmentação, levando em conta não
apenas o viés da militância mas sobretudo pela oportunidade de negócio.
Não existia nenhuma feira com essa abordagem que reunisse produtos e
cultura”, afirma.
Adriana conta que o evento começou com 40 expositores e hoje são 100
participantes de todo o País. “Em 2005, criei o Instituto Feira Preta
que organiza ações culturais, festival de música, seminário de boas
práticas em economia criativa e o curso Preta Qualifica, que capacita
empreendedores que participam da feira, em áreas como formulação de
preços e atendimento ao público.”
O treinamento é feito em parceria com o Sebrae. Mas o instituto
também organiza capacitação ligada à área de cultura, que aborda
assuntos como elaboração de projetos, captação de recursos e estratégia
de comunicação. “O objetivo é dar aos artistas um olhar de gestão sobre
sua própria obra.”
Segundo Adriana, existe um potencial grande a ser explorado nesse
nicho. “A preocupação é saber se quem produz compreende as
particularidades desse público, cada vez mais exigente, e se tem escala
para atender a demanda crescente.”
A empresária conta que a terceirização de algumas etapas de seus
negócios é feita por meio de redes que agrupam profissionais negros.
“Uma delas é a Kultafro. Hoje, 70% das minhas produções são feitas por
profissionais e empreendedores negros. Adotamos o conceito americano
Black Money, para fazer circular dinheiro dentro da comunidade negra.”
A diretora comercial da loja de bonecas Preta Pretinha, Joyce
Venâncio, se inspirou em um sonho de infância para criar o negócio.
“Quando minhas irmãs e eu éramos pequenas, queríamos ter bonecas negras e
nossa avó fez bonecas com tecido marrom para nós”, diz Joyce. Em 2000,
as irmãs se uniram para criar a loja que oferece, além de bonecas,
brinquedos educativos, fantoches e bonecos de madeira.
“Não quisemos segregar produzindo só bonecas negras, elas são
maioria, mas também temos orientais, muçulmanas, russas etc.” Joyce
afirma que, com o tempo, viu que era necessário criar bonecas com
enfoque na inclusão. “Hoje, temos bonecas cadeirantes, albinas e obesas,
entre outras, que são muito usadas em aulas sobre inclusão.” Em 2010,
elas também fundaram o Instituto Preta Pretinha, que promove oficinas e
inclusão de pessoas carentes.
07:18
Mostra valoriza o papel da mulher negra no mundo da moda
Idealizadora da mostra e a representante do Abayomi Ateliê, um dos que expõe, fala com exclusividade com o Cor & Estilo das expectativas e desafios do evento.
Dia 9 de agosto acontece em São Paulo a primeira Mostra de Criadoras em Moda: Mulheres Afro-latinas vai apresentar novidades na moda afro e reforçar a identidade da mulher negra e sua legitimação no mundo da moda. Em entrevista ao site Cor & Estilo, a idealizadora do evento, Barbara Esmenia, trata-se do empoderamento, de colocar-se e ocupar os espaços tão bem utilizados – em sua grande maioria – pelos canais de padronização e pensamento hegemônico.
“Conversei com algumas estudantes de moda e, como já desconfiava, os estudos se centralizam na produção europeia, num mercado (veja aí, o nome já diz) de consumo irrefreado e ilusões: a bela é a branca, magra, alta, pelos raspados, cabelos lisos. As roupas são as chamadas grandes marca o vestir-se totalmente antagônico às nossas raízes indígenas, latino-americanas e africanas. Algumas estudantes me disseram que, quando trazida à tona a moda afro, é sempre o fetiche, o raso, a zebra, o tigre, o exótico. Mas será isso mesmo?”, questiona Barbara.
Para ela a grande sacada do evento é trazer mulheres negras com o que lhes compete à suas belezas, com seus cabelos naturais, seus corpos distintos ao padrão branco, as cores, os estilos. “O mais efetivo para mim nisso tudo é ser referência, ter ali no público uma garotinha assistindo ao desfile e observar que ela pode ser diferente, que seu cabelo é lindo, não precisa passar por processos de massacre – são muitos os massacres sofridos por nós, mulheres, e ao se tratar de mulheres negras isso eleva grandemente -, descobrir suas belezas. Ver jovens e senhoras, todas as idades se reconhecerem, se sentirem belas, se fortalecerem enquanto mulheres”.
De acordo com Marisa Souza representante do Abayomi Ateliê no desfile, que também falou com o Cor & Estilo, a iniciativa é importante, pois estimula a participação da mulher negra no cenário da moda. “A periferia luta pela inclusão, desde tempos remotos. Nossa geração veio para revolucionar. É uma geração de ação, geração que põe a mão na massa e faz acontecer, de maneira independente. A oportunidade vinda de uma instituição como o Sesc possibilita que esse trabalho seja visto e, consequentemente, engrandece-o, ou seja, crescemos profissionalmente dentro do cenário”, afirma.
Mariza afirma ainda que iniciativa vem agregada à oportunidade da mulher mostrar seu trabalho e a apresentar a especificidade da moda afro. “A arte com tecido compõe e abrange inúmeras técnicas, desde a modelagem desenvolvida, o corte, o artesanato, ate a finalização da peça. Estilos diferentes, e criações que renovam-se continuamente são as características do nosso trabalho”.
Essas e outras conquistas da mulher negra e de sua moda tem sido fundamentais para a inserção e valorização da mulher negra no mercado de trabalho, o que tem proporcionado. Isso é “reflexo da própria mulher, e sua personalidade forte, grupos de coletivos que não aceitaram e não aceitam o que nos foi imposto no passado, infelizmente, por alguns pais e mães alimentados. Mas nossa inovação de pensamentos e luta pela igualdade despertou um crescimento em todo o cenário, não só na moda, mas na música, na arte de rua, etc. Hoje a periferia não quer ser tachada de coitada, muito pelo contrário, e, com isso seremos referência para as próximas gerações, finaliza Mariza.
05:38
Fundadora do bloco afro Ilê Aiyê conta a história do turbante na Bahia
Lilian Pacce entrevista Ana Célia, expert em amarrar o acessório.
No segundo episódio do GNT Fashion especial de Salvador, Lilian Pacce descobre todos os "segredos" dos turbantes, peça cheia de significados e simbolismos dentro da cultura negra e do candomblé. Quem explica tudo para ela é Ana Célia, uma das fundadoras do Ilê Aiyê, primeiro bloco afro da Bahia e que tem o turbante como item obrigatório no figurino do grupo.
"Eu fui uma das primeiras pessoas em Salvador a usar turbante para sair. Porque antes a gente só usava no candomblé. Eu comecei a usar por vontade e para assumir a raça", conta ela. Assista ao trecho abaixo:
Confiram com exclusividade a prévia do editorial de moda afro-mineira "Mama África". Um trabalho feito com muita dedicação e entusiasmo por profissionais negros e valorizadores da cultura afro-brasileira que gerou um resultado maravilhoso, autêntico e com referências positivas das influências afros na moda, estética, beleza, arquitetura e design e principalmente, no ser humano e no brasileiro!!!
Agradecimentos à Casa África Brasil na pessoa deIbrahima Gaye, às marcas Ancestral, na pessoa de Rodrigo Ribeiro, Black Vika, na pessoa de Virgínia Marques, Chica Da Silva, nas pessoas de Marcial Avila, Leona e Francisco de Assis e Baoba Afro Moda na pessoa de Ibrahima Gaye. Agradecemos também às modelos pela contribuição na produção com seus itens de acervo pessoal.
Aguardem o editorial completo que está maravilhoso!
Equipe Enia - Moda, Arte e Design e Énia Dára dos Santos Medina. — com Vick De Paula e Jessica Knowles. — comJessica Knowles e outras 2 pessoas.
07:01
‘Consumo étnico’ aquece negócios entre empreendedores negros
Especializada em penteados afro, Chris tem público masculino forte que curte dreads e tranças
Cris Olivette
A fundadora da Cia. das Tranças, Chris Oliveira, era produtora de moda antes de criar um salão especializado em cabelo de pessoas negras. “Não gostava do atendimento que recebia nos salões e passei a cuidar sozinha de meu cabelo.”
O resultado foi tão bom que as pessoas começaram a elogiar e a perguntar quem cuidava de seus cachos. “No início, fiz alguns cabelos por hobby. Nesse processo, vi que muitas pessoas tinham a mesma infelicidade que eu, por não encontrar bons salões. Usei as críticas a meu favor e criei um salão como sempre sonhei encontrar.”
Após 12 anos, Chris comanda uma equipe com 13 profissionais. “Há dois anos cuido só da gestão da empresa, e tem sido ótimo porque nesse período o negócio cresceu 50%.” Ela diz que 80% de seu público é de mulheres. “Em relação a dreads e tranças, tenho um público masculino forte.” Chris diz que não são só negros que buscam penteados afro. “Recebemos japonesas, loiras, mas é claro que negros representam 80%.”
A atividade de Chris, engrossa o estudo que aponta crescimento de 29% no empreendedorismo entre negros, ocorrido em uma década. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílios (PNAD), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que considerou o período entre 2001 a 2011. Segundo o estudo, o empreendedorismo entre negros passou de 43% para 49%.
O consultor de marketing do Sebrae-SP Marcelo Sinelli pondera, entretanto, que o que cresceu muito, na verdade, foi o número de pessoas que se declaram negras. “Para o IBGE, o critério que define se uma pessoa é negra ou não é a autodeclaração. É provável, que muitos já fossem empreendedores, mas não se declaravam negros.”
Sinelli diz que as transformações ocorridas na sociedade brasileira nos últimos 20 anos contribuíram para a mudança de postura. “Está tudo atrelado. O crescimento do orgulho de ser negro, a ascensão social das classes C e D, e o aumento do acesso à informação abriram uma série de oportunidades, estimulando negócios específicos, que podemos chamar de consumo étnico.”
Ana Paula (à esq.) e Cristina investem na cultura africana
A sócia da Xongani, Ana Paula Xongani (foto na capa), está entre os que privilegiam o consumo étnico. “Assim como outros negócios voltados ao público negro, a Xongani nasceu para cobrir uma lacuna. Não havia no mercado acessórios que valorizassem a cultura africana.”
Cristina, sócia e mãe de Ana Paula, afirma que a profissionalização da marca veio a partir da demanda. “Tudo foi concebido para atender as necessidades das mulheres da família. Com o tempo, recebemos encomendas e o negócio cresceu.”
Hoje, após quatro anos de mercado, a Xongani produz 26 itens como sapatilhas, brincos, pulseiras e turbantes. “No ano passado, lançamos nosso primeiro modelo de vestido de noiva afro-brasileira. Nosso principal diferencial está nos tecidos, importados da África”, diz Ana.
Além de vender pelo e-commerce, a marca vai aonde o publico está. “Participamos de grandes eventos realizados em todo o País como o Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros, Feira Preta, Afrolatinidades, Rua do Samba, Festa de São Benedito e Feijoada da Mãe Preta. Também visitamos eventos na periferia de São Paulo.”
Uma das precursoras desse movimento de valorização de produtos específicos para a população negra foi a fundadora da Muene Cosméticos, Maria do Carmo Valério, de 81 anos. “Foi muito difícil ajustar as fórmulas porque o Ph da pele negra é diferente. Tive de mudar várias vezes de químico.” No mercado há 25 anos, a Muene comercializa 121 itens, tendo como carro-chefe o pancake, com nove tonalidades.
Araújo (centro), criou agência especializada em modelos negros há 14 anos. Hoje, seu book tem 200 nomes
Antes de fundar a agência HDA Model, Helder Dias Araújo era professor de passarela e coreógrafo na Bahia. “Vim para São Paulo praticamente sem dinheiro. Trabalhei três anos em uma agência. Quando ela fechou, vi que não havia na cidade uma agência especializada em modelos negros. Agarrei essa oportunidade. Hoje, 14 anos depois, capacito e formo profissionais. Nosso book contém mais de 200 modelos.”
Ele conta que o curso de modelo tem 33 matérias como etiqueta, teatro, passarela, nutrição, maquiagem e postura. “Na metade do curso, que dura seis meses, eles participam de uma banca que avalia quem está tendo um bom aproveitamento e deve concluir a formação.”
Helder afirma que os aspirantes a modelo passam por avaliação e são indagados sobre os estudos. “É fundamental que o modelo continue estudando. Essa carreira é efêmera e muitas vezes ingrata. Eles precisam ter os pés no chão.”
O empresário diz que o mercado para modelos negros está crescendo. “Mas acredito que não foi o mercado que se abriu e sim, foi o negro que se conscientizou e está buscando seu espaço. Os negros perceberam, enfim, que a grande ferramenta é a educação, com ela é possível ir aonde quiser.”
Adriana, fundadora da Feira Preta
Militância empreendedora impulsiona negócios
Formada em gestão de eventos e com especialização em arte e cultura, Adriana Barbosa é uma empreendedora engajada. Desde 2002, realiza anualmente a Feira Preta. “Criei a feira pela necessidade de haver um evento com esse recorte racial de segmentação, levando em conta não apenas o viés da militância mas sobretudo pela oportunidade de negócio. Não existia nenhuma feira com essa abordagem que reunisse produtos e cultura”, afirma.
Adriana conta que o evento começou com 40 expositores e hoje são 100 participantes de todo o País. “Em 2005, criei o Instituto Feira Preta que organiza ações culturais, festival de música, seminário de boas práticas em economia criativa e o curso Preta Qualifica, que capacita empreendedores que participam da feira, em áreas como formulação de preços e atendimento ao público.”
O treinamento é feito em parceria com o Sebrae. Mas o instituto também organiza capacitação ligada à área de cultura, que aborda assuntos como elaboração de projetos, captação de recursos e estratégia de comunicação. “O objetivo é dar aos artistas um olhar de gestão sobre sua própria obra.”
Segundo Adriana, existe um potencial grande a ser explorado nesse nicho. “A preocupação é saber se quem produz compreende as particularidades desse público, cada vez mais exigente, e se tem escala para atender a demanda crescente.”
A empresária conta que a terceirização de algumas etapas de seus negócios é feita por meio de redes que agrupam profissionais negros. “Uma delas é a Kultafro. Hoje, 70% das minhas produções são feitas por profissionais e empreendedores negros. Adotamos o conceito americano Black Money, para fazer circular dinheiro dentro da comunidade negra.”
A diretora comercial da loja de bonecas Preta Pretinha, Joyce Venâncio, se inspirou em um sonho de infância para criar o negócio. “Quando minhas irmãs e eu éramos pequenas, queríamos ter bonecas negras e nossa avó fez bonecas com tecido marrom para nós”, diz Joyce. Em 2000, as irmãs se uniram para criar a loja que oferece, além de bonecas, brinquedos educativos, fantoches e bonecos de madeira.
“Não quisemos segregar produzindo só bonecas negras, elas são maioria, mas também temos orientais, muçulmanas, russas etc.” Joyce afirma que, com o tempo, viu que era necessário criar bonecas com enfoque na inclusão. “Hoje, temos bonecas cadeirantes, albinas e obesas, entre outras, que são muito usadas em aulas sobre inclusão.” Em 2010, elas também fundaram o Instituto Preta Pretinha, que promove oficinas e inclusão de pessoas carentes.