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por Claudinha Alexandre | 20/11/2013
Antes, de mais nada, já quero que você se prepare para me ajudar a explorar um universo que muito me intriga. Conhecer mulheres poderosas que estão por aí afora fazendo a diferença e se enchendo de poder. Estou falando das mulheres negras que ocupam seus espaços sem medo e preparadas. Elas são empresárias, empreendedoras, executivas (nossa aqui o poder começa com a letra e?). E então, você se lembrou de alguém? Enquanto você vai pensando, eu começo dizendo que tive o prazer de conhecer a poderosa estilista e consultora de moda, Mônica Anjos, uma soteropolitana, que é luxo só. Filha de uma costureira de roupas de alta costura, há 20 anos ela faz a cabeça e compõe o visual de muita gente famosa. Nomes como Margareth Menezes, Vanessa da Mata, Beth Carvalho, Mariene de Castro, entre outras, já arrasaram nos palcos com visual assinado por ela.
Monica Anjos
Aos 40 anos, casada e mãe de Maria Selena, 2 anos, Monica Anjos está instalada na charmosa praia do Rio Vermelho, em Salvador, onde também mantém atelier e show room. Neste mês de novembro ela desembarcou em São Paulo com sua equipe para mostrar a coleção verão 2013/2014, em desfile que marcou a festa dos 17 anos da Revista Raça Brasil.
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Quando você entrou para o mundo da moda?
Acho que está no sangue, minha fazia alta costura. Cresci vendo aquele capricho e a perfeição com que ela cortava, costurava tudo feito milimetricamente, aquilo me fascinava.
Como surgiu a marca Mônica Anjos?
Foi quando percebi o desejo de um tipo de mulher pela autoafirmação, em ver a sua identidade valorizada. Minha moda é para mulheres negras ou não que buscam a sua identidade através da forma de vestir. Penso no meu espelho e no que as mulheres como eu desejam.
O que tem encantado as mulheres que vestem sua marcar?
As minhas roupas trazem muito tecido, são vestidos amplos, longos esvoaçantes. Eu penso na mulher madura e independente.
O que está na sua moda verão 2013/2014?
Muito branco que é uma forte tendência do que eu faço, porque representa força, simboliza paz, tem a ver com o nosso clima, com as matrizes africanas. Mas também muito colorido, estampas que são exclusivas de uma pesquisa que eu mesma faço.
E Mônica Anjos é?
Sou uma mulher que está buscando o caminho dentro do que ama. E eu amo o que eu faço. Adoro estar na pesquisa, buscando tecidos e vivendo plenamente em função disso.
Exposição Afro com Ascendência
Renata FelintoCom curadoria de Alexandre Bispo, o Sesc Pinheiros apresenta a partir do dia 1º. de dezembro, às 16 horas, a exposição Afro como Ascendência, Arte como Procedência, um projeto da produtora cultural Cubo Preto, que tem à frente a artista plástica Renata Felinto.
Afro como ascendência, Arte como procedência apresenta obras de cinco jovens artistas contemporâneos, que em seus trabalhos aludem direta ou indiretamente a temática étnico-racial no Brasil. São pinturas, objetos, fotografias e um vídeo inspirados em questões  ligadas a população afro-descendente, como as práticas religiosas do candomblé ou a experiência corporal feminina. Tal atitude permite aos artistas abrirem caminho na arte contemporânea brasileira, ainda pouco aderente à diversidade étnica do país. Resultado de investimentos formais, esses artistas não transformam seus trabalhos em panfletos políticos, cada qual a seu modo eles fogem da militância óbvia contra as desigualdades étnico-raciais que impedem a plena integração e ascensão dos negros em diferentes setores da vida social brasileira. Na coletiva é possível conferir os trabalhos de Wagner Viana, Moisés Patricio, Sergio Soarez, Janaina Barros e Renata Felinto.
Renata Felinto se autorretrata como loiras famosas, sedutoras e sorridentes. Nestas representações ela mantém seu primeiro nome e incorpora os célebres sobrenomes Bardot, Bassinger e Monroe. Trata-se de forçar relações de alteridade, que sem negar o outro, transforma-se nele. Nessa operação as estrelas distantes das telas do cinema de Hollywood são antropofagicamente assimiladas. Felinto questiona os padrões de beleza veiculados como naturais pela cultura de massa. Ao brincar com os cabelos louros, cor que no Brasil tem muitas representações positivas e marca o desejo de homens e mulheres em torno desse símbolo erótico, ela nos revela o potencial de sua brincadeira de inversões. Em “White Face and Blonde Hair, parte do projeto “Também quero ser sexy”, de 2012, a artista investe, com alta dose de ironia, no travestismo de classe social e se auto-representa como uma loura que esbanja riqueza e capacidade de consumo do luxo oferecido na Rua Oscar Freire, na qual fez a performance desconcertante para os que com ela tomaram contato naquele dia. Investir nas inversões pode assustar!
Na abertura da exposição Afro como Ascendência, Arte como Procedência haverá uma mesa redonda Afro como ascendência, Arte como procedência: a pertinência de discursos pautados na etnicidade na produção de arte contemporânea brasileira. Mediação: Alexandre Araujo Bispo.
Oficinas de Janaina Barros (Quando o corpo é apenas uma ausência: a autoria e o ato experimental no exercício de criação - 14 de dezembro) e de Wagner Viana (Exercício poético coletivo da cor: jogo de analogias cromáticas entre palavra e a imagem - 15 de dezembro) das 15h às 17h.
Sesc Pinheiros -  Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros – (11) 3095-9400 - www.sescsp.org.br
Estudo do CEERT revela que presença de professoras negras tem garantido implementação da Lei 10.639
O CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, que promove oPrêmio Educar para a Igualdade Racial, realizou uma pesquisa sobre o implementação da Lei 10.639 a partir de 2.300 práticas de escolas e professores de todos os níveis, exceto o superior . O estudo conta com apoio do SECADI – Secretaria de Educação continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão e do Setor de Educação da UNESCO.
Destas experiências, foram estudadas 174 que representam exemplos de boas ações de promoção da igualdade racial em ambiente escolar. A mostra confirma a participação maior da região Sudeste (46%) seguido do Nordeste (21%); Centro-Oeste (13%); Sul (11%) e Norte (9%).
O estudo aponta para a importância do protagonismo feminino no desenvolvimento das práticas, já que as mulheres são responsáveis por 83% delas. Percebe-se também que dentre as práticas, 23% foram desenvolvidas por professores/as e gestores/as brancos/as.
Cida_Bento
O protagonismo negro é evidenciado pela autoria de 59% do total das práticas, com destaque para a atuação da mulher negra, responsável por 52,1% do total das práticas. “Apresentar o protagonismo das professoras negras na implementação dessa política de Educação Igualitária anuncia que as metodologias de educação para e nas relações étnico-raciais estão sendo planejadas, conduzidas e avaliadas, em sua maioria, por mulheres negras. Mas esta é uma tarefa de toda a Educação Básica, ou seja, de homens e mulheres negros e não negros”, diz Dra. Cida Bento, diretora executiva do CEERT.
Claudinha Alexandre – é jornalista, radialista e apresentadora do Programa Papo de Bamba. *(bamba – do dialeto africano quimbundo mbamba, significa exímio, mestre aquele que sabe do que fala e do que faz)

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